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Seminário debate as transformações do mercado de embalagens impressas

Seminário debate as transformações do mercado de embalagens impressas
O mercado de impressão se reuniu na manhã da última quinta-feira (6) no Auditório do Senai Barueri para um debate sobre o segmento de embalagens no Brasil e no mundo. Foi um momento para analisar os números de mercado, as tendências do setor e debater como as atuais tecnologias e as transformações da sociedade estão impactando e mudando conceitos hoje e nos próximos anos.

Com realização de APS Feiras e ANconsulting, o evento teve início com as boas-vindas de Thayer Long, presidente da NPES - associação gráfica americana, que falou em vídeo sobre o estudo promovido pela entidade através do Primir, organização para estudo do mercado gráfico, que teve como objetivo verificar o atual panorama da indústria global de embalagens impressas.

Em seguida, Hamilton Terni, diretor da ANconsulting e representante da NPES no Brasil, trouxe dados do estudo, dando uma visão global das embalagens impressas e destacando o panorama do segmento até 2020, em pesquisa feita com 26 países, incluindo o Brasil.

Nos últimos 10 anos, a produção de embalagens saltou de 36% para 43% do total do mercado gráfico. Segundo Hamilton, este número deve chegar nos próximos anos a 50%, ou seja, metade do que o setor de impressão produzir será embalagem. "Isto se dá por dois motivos principais: o primeiro é o fato da embalagem não ter ainda um substituto eletrônico; o segundo pelas funções fundamentais da embalagem, como proteção e comunicação".

No âmbito mundial, o crescimento médio do mercado de embalagens impressas será de 5,2% ao ano até 2020 - no caso dos países emergentes, esta expectativa é maior, chegando em 6% ao ano. Os dados mostram que o Brasil, apesar da atual situação econômica, vai voltar a crescer em 2017 e ter uma alta na faixa dos 5% em 2018.

Tendências de cada tipo de embalagem

Na análise por setor, o mercado de embalagens flexíveis deve crescer 7,6% nos países emergentes; rótulos e cartão com 5,2%; e ondulado chegando a 6,4% nos países emergentes.

O estudo mostrou a visão de mercado e tendências por tipo de embalagem. O mercado de corrugados tem projeção global de crescimento de 3,5%. Apesar de mais lento, seguirá crescendo puxado pela venda de produtos online, servindo como embalagem de transporte.

O ondulado pode sofrer com a concorrência de materiais mais leves porém, assim como os outros substratos, pode integrar-se com inovações como QR Code. No Brasil, o crescimento anual do mercado de caixas de papelão ondulado deve ser de 4,4%.

Em embalagens flexíveis, há melhores projeções. A projeção mundial até 2020 é de crescimento de 5,7%. Isto de deve ao aumento das baixas tiragens; as mudanças na sociedade interferem neste crescimento, com a classe média optando por comidas pré-embaladas.

A cada dia, mais embalagens são produzidas com flexíveis, por sua facilidade de transporte, segurança e sustentabilidade. Este tipo de embalagem vem ganhando espaço de caixas rígidas. No Brasil, o crescimento anual do mercado de embalagens flexíveis deve ser de 4,8%.

Em cartão semi-rígido, a projeção global de crescimento ano a ano é de 5,2% até 2020. Este setor foi positivamente atingido pela mudança de consumo da classe média; por outro lado, segue com a concorrência das embalagens flexíveis. A taxa anual de crescimento no Brasil deve girar em 4,7%.

O setor de rótulos e etiquetas é mais um com boas expectativas e crescimento anual esperado de 5,2%. É o mais forte dentro da impressão digital, sendo o melhor processo para as baixas tiragens e materiais customizados. O in mold label vem crescendo, e suas características sustentáveis são outro ponto a favor da tecnologia. No Brasil, deve crescer anualmente na faixa de 4,6%.

Tecnologia e mudanças

As mudanças no setor de embalagem, explicou Hamilton Terni, acontecem por pontos demográficos e macroeconômicos. O crescimento do poder econômico e de consumo, especialmente da classe média, traz o aumento do uso de embalagens. Outro direcionador de mudança é a dinâmica da indústria. Para Hamilton, as inovações tecnológicas, a necessidade de ser sustentável e de baixar custos têm impacto fundamental dentro da indústria de impressão de embalagens.

O estudo notou tendências relevantes em tecnologia, como o crescimento da impressão digital, que deve passar de 3% para 5% do mercado de embalagens; dentro desta fatia, praticamente três quartos são rótulos. O 3D começa a chegar no segmento, especialmente para as embalagens mais customizadas. A impressão digital deve ir além dos rótulos, com o lançamento de impressoras digitais para impressão de ondulados, cartão flexíveis e outros substratos.

A embalagem fica mais integrada com tecnologias, desde um QR Code até embalagens inteligentes, que apresentam as condições do produto - se este está próprio para uso, temperatura, etc. O objetivo é transformar a embalagem cada vez mais em um produto realmente interativo. O estudo é finalizado com conselhos à indústria: buscar valor ao longo da cadeia de suprimento; estar ciente das tendências e tecnologias; apostar na embalagem verde.

Painel

O Seminário trouxe o Painel "Mercado Brasileiro de Embalagens Impressas", com especialistas da indústria. Com mediação de Bruno Cialone, da ABTG, participaram Sidney Anversa Victor (diretor da Congraf e presidente do Abigraf-SP), Miguel Troccoli (diretor da PTC e da Abflexo) e Eduardo Chede (diretor da ArtPrint).

Sidney explicou o esforço da entidade em levar o web to print para as empresas de impressão, os treinamentos sobre digital e o apoio na busca por financiamentos.

O profissional abordou o mercado de embalagens em papel cartão. Para Sidney, há diversas tendências que guiam o segmento, como designs diferenciados, em conjunto com acabamentos inovadores, além do conhecido aumento das baixas tiragens. "O papel cartão é a embalagem que embala embalagem. É sinônimo de inovação e tecnologia", apresentando exemplos de materiais especiais feitos com o substrato, como óculos de realidade virtual.

Miguel Troccoli destacou a evolução da tecnologia e o avanço da flexografia. Porém, seu foco foi a impressão digital, que para o especialista não é uma escolha: "Você não vai ter a chance de escolher se vai ter ou não um equipamento de impressão digital. Em breve, alguns projetos só poderão ser executados em impressão digital. Será uma necessidade ter um equipamento desse, senão você morre. É questão de tempo".

Troccoli diz que a impressão digital não é problema, e sim uma oportunidade. "Produzir uma embalagem que só você faz é um enorme diferencial", frisando ainda que, apesar da conjuntura econômica e política, o mercado de embalagem está bem, especialmente na comparação com outros segmentos de impressão.

Eduardo Chede foi o responsável por falar de etiquetas e rótulos auto-adesivos, abordando a queda de vendas de máquinas importadas e o aumento dos equipamentos de fabricação nacional, passando de 20%, sem contar as impressoras brasileiras exportadas. Em média, o setor cresceu por volta de 4%. O empresário finalizou colocando em destaque a importância de estar atento à gestão da empresa e a busca pela inovação como pontos fundamentais.

Palestras destacam a busca pelo novo

Aislan Baer, diretor da Projeto Pack, falou sobre "Como ajustar-se ao mercado e as exigências dos brand-owners". O especialista em embalagem abordou o desafio de construir e manter uma marca, e as novas formas de promoção de um produto neste momento de transformação das mídias tradicionais.

O especialista considera que a embalagem tem enorme importância na construção da marca: "Embalagem é a promoção intrínseca ao produto. É o vendedor silencioso. Uma nova embalagem pode ampliar a experiência de compra do consumidor; é o shelf-appeal, é a importância sobre como o produto estará na prateleira".

Para Aislan, o segmento de embalagem flexível terá um crescimento em seu raio de atuação. Porém, nota que a maioria dos convertedores atuais não mede e nem controla o seu processo de impressão. "O controle de impressão de varáveis é fundamental para o setor de impressão. A repetibilidade e controle do processo são grandes exigências".

A última apresentação da manhã foi com a presidente da Abre (Associação Brasileira de Embalagem), Gisela Schulzinger. Com o tema "Novos tempos exigem novas atitudes", reforçou que o setor ainda tem um longo caminho a percorrer quando o tema é inovação.

"Precisamos mudar o modelo mental. Passar a fazer mais perguntas. A velocidade do mundo e da tecnologia estão diretamente ligadas ao nosso negócio", frisou, dando uma série de exemplos de como a tecnologia vem revolucionando os conceitos de sociedade e como estas mudanças atingem em cheio a indústria, entre elas a de embalagens.

O novo modo de pensar é fundamental às tradicionais empresas, considerou a presidente da Abre, mostrando o quanto as novas empresas, conectadas aos avanços tecnológicos, vêm crescendo e tomando espaço das antigas companhias. Para a especialista, o empresário precisa conhecer o que o jovem empreendedor de hoje pensa e como estes estão atuando e criando.

Gisela apresentou, através de dados e opiniões de especialistas, que a quarta revolução industrial será uma convergência tecnológica, digital, física e biológica. Para a presidente da Abre, os novos tempos trazem com ele novos desafios e uma outra maneira de atuar no mercado: "É preciso entender as mudanças nas vidas das pessoas e o que elas esperam das empresas. Estamos na era da experiência que vai além do produto", finaliza.

O público presente aproveitou o conteúdo transmitido e aprovou a iniciativa. Para Fabiano Eloy, da Colorsystem, "Os números apresentados nos dão um direcionamento muito interessante, nos ajuda na tomada de decisões. Foi interessante ver também a parte sobre web to print", relatou.

O conteúdo confirmou o que o mercado está passando, relata Haline Mendes Silveira, da Antilhas Embalagens: "O seminário foi muito enriquecedor. Ele mostrou exatamente o que estamos vivendo. Temos a parte de flexível dentro da Antilhas, onde estamos verificando um notável crescimento. Gostei bastante do conteúdo apresentado".

O Seminário com realização e organização de APS Feiras e ANconsulting teve apoio de Abflexo/FTA-Brasil, Abigraf-SP, ABTG, Afeigraf, ConverExpo Latin America, ExpoPrint Latin America, ExpoPrint Digital e Senai.

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